Quase dois anos após a tragédia, a Polícia Federal concluiu o inquérito sobre a queda do voo 2283 da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. Ao todo, 16 funcionários e ex funcionários da companhia foram indiciados.
Quem foi indiciado?
Entre os indiciados estão José Luiz Felício Filho, presidente e proprietário da Voepass, e Eric Cônsoli, diretor de manutenção da empresa. A lista reúne profissionais de diferentes áreas, incluindo operação, manutenção e tripulação.
Os envolvidos respondem por crimes diferentes, entre eles atentado contra a segurança do transporte aéreo, sinistro aéreo com resultado morte e falsidade ideológica. As infrações atribuídas variam de acordo com a função e a participação de cada indiciado.
O que a PF descobriu?
Segundo a investigação, o acidente não foi causado por uma falha isolada. A PF identificou uma sequência de problemas, como o acúmulo de gelo na aeronave, falhas no sistema de degelo e o descumprimento de procedimentos de segurança.
A investigação também apontou uma cultura interna de omissão. Segundo a PF, falhas graves eram tratadas como alarmes falsos e não recebiam a atenção necessária.
O delegado André Ribeiro, chefe da Delegacia da Polícia Federal em Campinas, afirmou que comandantes foram ouvidos durante a investigação para entender por que determinados problemas não eram registrados pelas tripulações.
“Havia por parte da chefia dos pilotos, orientação para não apontar as falhas, porque elas poderiam parar a aeronave e impedir voos subsequentes. A companhia aérea dava prioridade para continuidade das operações, do que à segurança.”
Relembre o acidente
O voo 2283, operado por um ATR 72 500, saiu de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). A aeronave caiu sobre um condomínio residencial em Vinhedo.
As 62 pessoas que estavam a bordo, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes, morreram. Ninguém em solo ficou ferido.
O que acontece agora?
Com a conclusão do inquérito, o material será encaminhado ao Ministério Público Federal. O órgão deverá analisar as provas reunidas pela Polícia Federal e decidir se apresenta denúncia à Justiça.
O indiciamento não significa condenação. A eventual responsabilidade criminal de cada envolvido ainda será analisada pela Justiça.