Governo brasileiro inicia resposta a tarifas dos EUA com lei de reciprocidade

Governo brasileiro abriu os trâmites para avaliar possíveis contramedidas às tarifas impostas por Trump

Redação Sobre Mundo

O governo brasileiro notificou oficialmente os Estados Unidos nesta sexta-feira (14) sobre o início do processo de reciprocidade econômica em resposta às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. A comunicação foi feita pelo Itamaraty, após a Câmara de Comércio Exterior (Camex) iniciar os procedimentos na quinta-feira (13).

A medida tem como base a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional em 2025. O mecanismo permite que o Brasil adote contramedidas comerciais diante de ações consideradas prejudiciais aos interesses econômicos brasileiros.

Apesar da abertura do processo, o governo ainda não anunciou uma lista de produtos americanos que sofrerão novas tarifas. A primeira etapa prevê consultas diplomáticas entre os dois países e uma análise dos impactos provocados pelas medidas americanas.

As tarifas impostas por Washington atingem uma parcela das exportações brasileiras e podem representar barreiras de até 37,5% para determinados produtos. Segundo estimativas divulgadas pelo governo, as medidas afetam aproximadamente US$ 7,4 bilhões em mercadorias brasileiras.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o processo será conduzido com cautela e defendeu a continuidade das negociações com os Estados Unidos. A estratégia do governo, neste momento, é utilizar o mecanismo de reciprocidade como instrumento de pressão para tentar reduzir ou retirar as tarifas.

A abertura do processo, portanto, não significa que novas tarifas brasileiras contra produtos americanos entrarão em vigor imediatamente. Antes de uma eventual retaliação, o governo deverá analisar os impactos econômicos e concluir as etapas previstas na legislação.

A expectativa agora é que as consultas diplomáticas avancem enquanto Brasília avalia quais medidas poderiam ser adotadas caso não haja um acordo com Washington.

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