A Justiça de São Paulo decidiu que 12 policiais militares acusados pelas mortes de nove jovens durante o Massacre de Paraisópolis, em dezembro de 2019, serão julgados pelo Tribunal do Júri. A decisão foi divulgada nesta semana e ainda não há uma data definida para o julgamento.
Os policiais respondem por nove acusações de homicídio qualificado, com agravantes relacionados ao meio cruel e ao uso de recurso que teria dificultado a defesa das vítimas. Eles também são acusados de lesão corporal grave. Entre os réus está a tenente Aline Ferreira Inácio, apontada como comandante da operação. Os acusados aguardam o julgamento em liberdade.
Relembre o Massacre de Paraisópolis
O caso aconteceu na madrugada de 1º de dezembro de 2019, durante o baile funk da DZ7, em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo.
Na ocasião, uma operação da Polícia Militar cercou uma multidão que participava do baile. Segundo a acusação do Ministério Público, os policiais teriam encurralado parte das pessoas em uma viela estreita durante uma ação de dispersão.
A estimativa apresentada pelo Ministério Público é de que entre 5 mil e 8 mil pessoas estavam no local. De acordo com a acusação, os jovens tentaram fugir de golpes de cassetetes, gás de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo, mas acabaram presos em um espaço de circulação reduzido.
Como os jovens morreram?
Nove pessoas morreram durante o tumulto. As vítimas tinham entre 14 e 23 anos.
Laudos necroscópicos apontaram comprometimento dos pulmões das vítimas, e a acusação sustenta que a compressão provocada pelo grande número de pessoas em uma área estreita contribuiu para as mortes. Uma das vítimas também sofreu traumatismo na coluna.
A versão apresentada pela Polícia Militar na época era de que os agentes estavam perseguindo suspeitos que teriam atirado contra viaturas e corrido em direção ao baile. Segundo os policiais, o tumulto teria ocorrido enquanto a multidão tentava fugir. Essa versão é contestada por testemunhas ouvidas durante o processo.

O que acontece agora?
Com a decisão da Justiça, os 12 policiais serão submetidos ao Tribunal do Júri. Ainda não existe uma data definida para a sessão.
O julgamento deverá definir a responsabilidade criminal dos acusados pelas nove mortes. Até que haja uma decisão definitiva, os policiais permanecem presumidos inocentes, conforme o princípio da presunção de inocência.
Legenda sugerida: Doze policiais militares acusados pelas mortes no Massacre de Paraisópolis serão julgados pelo Tribunal do Júri. Foto: Reprodução.