PF mapeia 22 influenciadores em campanha pró-Vorcaro; veja a lista completa

Relatório aponta perfis que publicaram conteúdos questionando o Banco Central durante crise envolvendo o Banco Master

Redação Sobre Mundo

A abertura do sigilo do caso Banco Master revelou novos detalhes da investigação da Polícia Federal. Entre os documentos divulgados está um relatório que mapeou 22 perfis de influenciadores e páginas nas redes sociais que publicaram conteúdos questionando a atuação do Banco Central durante a crise envolvendo a instituição financeira.

Segundo a PF, os perfis poderiam estar relacionados a uma estratégia de gerenciamento de reputação em favor de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A suspeita é de que uma campanha tenha sido articulada para apresentar o banqueiro e a instituição como vítimas de decisões consideradas injustas.

Veja a lista dos 22 perfis citados pela PF

O relatório da Polícia Federal cita os seguintes perfis no Instagram:

  • Exclusivas da Fama
  • Rainha Matos
  • Futrikei
  • Fofocas
  • Fofoquei
  • Carol Dias
  • André Janeiro Dias
  • Garoto do Blog
  • Wes Gossip
  • Vem Me Buscar Hebe
  • Bomba dos Artistas
  • Tricotei
  • Alfinetada
  • Alfinetei
  • Focalizando Notícias
  • Tuitteiros
  • Queirônica
  • Alfinetada Online
  • Marcelo Rennó
  • Paulo Cardoso
  • Diferentona
  • Luiz Bacci

De acordo com a investigação, parte dessas páginas possui ligação com grupos de mídia digital. O relatório relaciona oito perfis à Deubuzz: Exclusivas da Fama, Rainha Matos, Fofocas, Fofoquei, Wes Gossip, Vem Me Buscar Hebe, Tuitteiros e Diferentona.

Outros quatro foram associados ao Grupo Farol: Futrikei, Tricotei, Alfinetada e Diferentona. Este último aparece relacionado aos dois grupos.

O que a PF investiga?

Segundo o relatório, a investigação identificou publicações semelhantes feitas em períodos próximos, com conteúdos que questionavam a atuação do Banco Central no processo envolvendo o Banco Master.

A suspeita dos investigadores é de que empresas e agências de comunicação tenham procurado influenciadores para participar de uma estratégia conhecida nos documentos como “Projeto DV”. A iniciativa teria como objetivo melhorar a imagem de Vorcaro e do banco e pressionar por mudanças na condução do caso.

Entre as linhas de comunicação identificadas estava a tentativa de atribuir ao Banco Central a responsabilidade pelas dificuldades enfrentadas pelo Master, além de reforçar a ideia de que Vorcaro estaria sendo perseguido.

A PF também recebeu relatos de influenciadores que afirmaram ter sido abordados com propostas para publicar conteúdos nessa linha. Em alguns casos, porém, os contatos foram recusados antes de qualquer contratação.

Influenciadores foram contratados?

Um dos principais pontos de atenção do relatório é que o simples fato de um perfil aparecer no mapeamento não significa que ele tenha sido contratado ou recebido dinheiro.

A própria Polícia Federal ressalta que a relação dos 22 perfis tem caráter investigativo. O levantamento mostra que as páginas fizeram publicações semelhantes em períodos próximos, mas não comprova que todos tenham sido procurados, contratados ou remunerados por alguma agência.

Um dos casos detalhados na investigação envolve o influenciador Rony de Assis Gabriel, que relatou ter recebido uma proposta de uma agência para participar de um trabalho de gerenciamento de reputação relacionado a um “executivo grande”. Segundo seu depoimento, posteriormente foi informado de que o cliente seria Daniel Vorcaro.

Rony afirmou ter recusado a proposta antes de negociar valores ou assinar um contrato de prestação de serviços. O acordo de confidencialidade apresentado a seu assessor previa uma multa de R$ 800 mil.

Investigação do Banco Master continua

O relatório faz parte de uma investigação mais ampla sobre as relações de Daniel Vorcaro com diferentes empresários, políticos, influenciadores e empresas de comunicação.

Com o fim do sigilo de parte dos autos, novos documentos da investigação passaram a ser conhecidos publicamente. A PF continua analisando contratos, pagamentos, publicações e possíveis intermediações para determinar se houve uma atuação coordenada nas redes sociais em favor do Banco Master.

Até o momento, não há conclusão de que os 22 perfis tenham participado de um esquema criminoso. Eventuais responsabilidades dependerão do avanço das investigações e das conclusões das autoridades.

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