Bets: 1 dia após proibição, monitoramento registra 1,6 mil novos sites ilegais

Levantamento aponta avanço de plataformas clandestinas após medida que proibiu as apostas de quota fixa no país

Redação Sobre Mundo

Um dia após a proibição das bets no Brasil, um monitoramento identificou a criação de 1.689 novos sites de apostas ilegais. O levantamento, citado pelo Jornal de Brasília, reúne dados de um serviço mantido por empresas que, até então, tinham autorização para operar no país e acompanhavam as plataformas clandestinas.

Além disso, esses novos endereços se juntaram a milhares de outros sites suspeitos. Com isso, a lista chegou a 17.651 endereços que não deveriam estar funcionando, segundo o levantamento.

O cenário ganhou força após a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026. Na sexta-feira, 25 de setembro, a medida proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no território nacional. Além disso, a regra alcança apostas esportivas e jogos on-line.

Sites ilegais passam a usar marcas conhecidas

Entre os endereços identificados pelo monitoramento, aparecem páginas que utilizam nomes e elementos visuais de marcas que tinham autorização do Ministério da Fazenda. Nesse sentido, o levantamento citado pelo Jornal de Brasília menciona casos envolvendo H2bet, Vaidebet e Novibet.

Enquanto as plataformas autorizadas utilizavam o domínio .bet.br, os endereços suspeitos adotavam terminações diferentes, como “.games”, “.site” e “.top”. Portanto, a presença de uma marca conhecida em determinado endereço não significa, por si só, que a plataforma seja oficial.

Um dos exemplos citados na reportagem envolve uma página que utilizava a marca H2bet e exibia um suposto selo de autorização do Ministério da Fazenda. Além disso, o levantamento apontou que o site informava ser operado pela Ana Gaming Brasil S/A, empresa que, segundo a reportagem, também administra outras marcas do setor.

Em nota, o diretor jurídico da Vaidebet, Daniel Sitônio, afirmou que o uso da marca fora do domínio autorizado representa uma tentativa de atrair usuários para plataformas irregulares.

“Caracteriza puro oportunismo por parte de operadores irregulares, que viram na Medida Provisória um contexto favorável para trazer clientes para o mercado ilegal a partir do anúncio da proibição das plataformas de apostas no Brasil”.

Além disso, Sitônio afirmou que a situação pode deixar apostadores expostos a plataformas sem fiscalização.

“É necessário observar que, da maneira como foi anunciada a Medida Provisória e como é feito hoje o combate às plataformas ilegais no Brasil, os clientes não estão protegidos e estarão consumindo em plataformas sem a devida fiscalização e que não pagam impostos nem taxa de licença para operar no Brasil”.

Até a publicação da reportagem usada como referência, a H2bet não havia se manifestado. Da mesma forma, a reportagem informou que não localizou representantes da Novibet.

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Monitoramento identifica milhares de novos endereços

O levantamento também registrou uma movimentação expressiva nos dias próximos à publicação da medida. Até 23 de setembro, por exemplo, o maior número de novos sites detectados em um único dia havia sido de 540.

No entanto, esse número saltou para 2.317 novos endereços em 24 de setembro, um dia antes da publicação da MP. Na sequência, no dia seguinte à medida, o monitoramento apontou outros 1.689 novos sites.

Além do levantamento privado, as ações oficiais também registraram uma movimentação semelhante. No domingo, 27 de setembro, uma força-tarefa dos Ministérios da Justiça e Segurança Pública e da Fazenda informou ter derrubado 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas.

Ao mesmo tempo, o trabalho identificou publicidade relacionada a bets em plataformas como Google e Meta. Segundo o Ministério da Justiça, os agentes também encontraram canais e grupos em aplicativos de mensagens usados para divulgar plataformas de apostas.

Como identificar uma plataforma de apostas autorizada?

Antes da nova medida, as empresas autorizadas a operar apostas de quota fixa no país precisavam seguir regras estabelecidas pelo Ministério da Fazenda. Entre os elementos usados para identificar essas plataformas estava o domínio .bet.br.

Agora, porém, a MP estabelece um período de transição. Segundo o texto, os operadores devem deixar indisponíveis seus sites e aplicativos destinados às apostas de quota fixa dez dias após a publicação da medida.

Além disso, a legislação proibiu novos aportes nas contas das plataformas a partir da publicação da MP, embora o próprio texto apresente exceções para o período de transição.

Por isso, usuários devem ter atenção redobrada ao receber links de apostas por redes sociais, aplicativos de mensagens ou anúncios. Afinal, uma página que reproduza o nome, o logotipo ou a identidade visual de uma marca conhecida pode não ter relação com a empresa original.

Influenciadores continuam divulgando plataformas

Além dos sites, o monitoramento também identificou a continuidade da divulgação de apostas irregulares nas redes sociais. Segundo a reportagem do Jornal de Brasília, influenciadores com milhares de seguidores continuaram compartilhando links para plataformas clandestinas.

Da mesma forma, o Ministério da Justiça já havia informado ações contra perfis usados para divulgar plataformas de apostas consideradas irregulares. A pasta informou anteriormente a remoção de 1.367 páginas e perfis no Facebook e Instagram.

Após a publicação da MP, o Ciberlab também identificou anúncios relacionados a apostas no Google, Meta e TikTok. Segundo o Ministério da Justiça, o monitoramento encontrou cerca de 1.960 anúncios no Google entre 25 e 27 de setembro, relacionados a sete domínios.

Além disso, a força-tarefa identificou 43 canais e grupos no Telegram ligados à divulgação de bets e jogos. De acordo com o Ministério da Justiça, esses espaços reuniam mais de 212 mil membros.

Entidade do setor comenta avanço das plataformas ilegais

O presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, também comentou o crescimento identificado no monitoramento:

“Se o objetivo da medida era impedir a atuação das bets, o efeito concreto foi atingir as empresas legalizadas, que recolhiam impostos, estavam submetidas à fiscalização e eram obrigadas a adotar mecanismos de controle e proteção de públicos vulneráveis, como crianças e adolescentes”.

Por outro lado, essa declaração representa a posição da ANJL sobre a medida. A MP, por sua vez, determina a proibição das apostas de quota fixa e cria um comitê interinstitucional para coordenar ações de prevenção, fiscalização e repressão à oferta e à publicidade ilegal do setor.

Com isso, a fiscalização passa a acompanhar não apenas os endereços das plataformas, mas também os anúncios, as redes sociais e os canais usados para direcionar usuários a esses serviços.

Estadão Conteúdo

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