A Globo cancelou o debate presidencial que aconteceria na noite desta quinta-feira (1º), poucas horas antes do início previsto. O encontro sofreu mudanças ao longo do dia, principalmente após decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além disso, Flávio Bolsonaro desistiu de participar do programa depois de confirmar presença. Lula, por sua vez, já havia informado que não compareceria e escolheu participar de uma entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário.
O que mudou no debate da Globo?
A primeira mudança importante ocorreu no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A ministra Estela Aranha determinou que a Globo não exibisse o púlpito vazio reservado a Lula durante o debate.
Além disso, a decisão proibiu que os demais candidatos fizessem perguntas direcionadas ao candidato ausente. Segundo a ministra, a participação em debates é facultativa e a ausência não deveria gerar uma consequência que pudesse prejudicar o candidato.
Até então, as regras acertadas entre as campanhas previam justamente a manutenção do púlpito vazio quando um candidato não comparecesse. Com a decisão, a emissora precisaria alterar uma parte importante do formato previamente combinado.
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Por que Flávio Bolsonaro desistiu?
Flávio Bolsonaro havia confirmado presença no debate. Entretanto, depois da decisão do TSE, o candidato anunciou nas redes sociais que não participaria mais do encontro.
Na publicação, Flávio classificou a decisão como “censura” e afirmou que a imprensa deveria ser livre e as eleições, limpas. A declaração representa a posição apresentada pelo candidato sobre a decisão judicial.
Pouco depois, uma nova decisão judicial aumentou a instabilidade em torno do programa. O ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que Renan Santos, candidato do Missão, participasse do debate.
Naquele momento, o cenário já havia mudado significativamente: Lula não participaria, Flávio havia desistido e Renan ganhou o direito de entrar na lista de participantes.
Decisão sobre Renan Santos mudou o cenário
Antes da determinação de Gilmar Mendes, Renan Santos já havia recorrido à Justiça para tentar participar do debate. O candidato teve pedidos anteriores negados pelo TSE e pelo STF. Horas depois, porém, o ministro determinou sua inclusão no programa.
Ao mesmo tempo, a composição do debate já havia sofrido outra alteração. Uma decisão anterior do presidente do TSE, Nunes Marques, reconheceu o direito de Romeu Zema participar do encontro após uma mudança no entendimento sobre a representação parlamentar do Novo.
Dessa maneira, a Globo precisou lidar com diferentes decisões judiciais que alteraram tanto as regras quanto a composição do debate em um intervalo de poucas horas.
O que a Globo disse sobre o cancelamento?
Segundo a emissora, duas notificações judiciais interferiram nas regras previamente acordadas com as campanhas. Por esse motivo, a Globo decidiu cancelar o debate.
A emissora citou especificamente a decisão de Estela Aranha, que alterou as regras para candidatos ausentes, e a determinação de Gilmar Mendes, que incluiu Renan Santos no encontro.
Além dessas duas decisões, a Globo também mencionou a decisão anterior de Nunes Marques sobre a participação de Romeu Zema. Para a emissora, o conjunto de mudanças criou um cenário de insegurança jurídica para a realização do programa.
Enquanto isso, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema já estavam na Globo quando a emissora anunciou o cancelamento. Os candidatos que estavam no local depois falaram com a imprensa sobre a decisão.
Debate foi cancelado pouco antes da transmissão
O anúncio ocorreu por volta das 20h45, cerca de 45 minutos antes do horário previsto para o início do programa. Até aquele momento, a emissora ainda trabalhava com a possibilidade de realizar o encontro.
Por fim, a sequência de decisões judiciais e a desistência de Flávio Bolsonaro levaram a Globo a retirar o debate da programação. O encontro seria o último debate televisionado entre os candidatos antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).