Quem venceu o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro? A pergunta ganhou destaque após o primeiro confronto presidencial do segundo turno, realizado pela Band na noite de domingo (18). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram um encontro marcado por provocações, acusações e poucas propostas.
Apesar da repercussão, especialistas e colunistas políticos apresentaram avaliações diferentes sobre o desempenho dos candidatos. Em análises publicadas pela BBC News Brasil e pelo UOL, os profissionais destacaram tanto as dificuldades enfrentadas por Lula quanto a postura adotada por Flávio durante o confronto.
Além disso, parte dos analistas questionou se o debate realmente ajudou os eleitores que ainda não decidiram seu voto para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Quem venceu o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, segundo a BBC?
A BBC News Brasil ouviu cientistas políticos que analisaram a postura, a estratégia e os principais momentos dos dois candidatos durante o encontro.
Para Yuri Sanches, diretor de Análise Política da AtlasIntel, Flávio apresentou maior clareza na organização de suas falas e conseguiu pressionar o presidente em temas relacionados às investigações que envolvem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Na avaliação do especialista, Lula apresentou dificuldades para responder às provocações e acabou repetindo argumentos em diferentes momentos do confronto.
O cientista político Lucas Aragão, da Arko Advice, também destacou a capacidade de Flávio de direcionar as discussões para temas de seu interesse, especialmente segurança pública e suspeitas envolvendo pessoas próximas ao governo.
Entretanto, Aragão criticou o formato do primeiro bloco, que permitiu interrupções e discussões simultâneas. Segundo ele, a dinâmica prejudicou a apresentação de propostas e dificultou a compreensão dos eleitores.
Por outro lado, Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, apresentou uma avaliação diferente. Para o cientista político, Lula demonstrou uma postura mais adequada durante parte do debate e ganhou destaque ao propor que ambos os candidatos abrissem seus sigilos bancários.
Apesar disso, Cortez não identificou um resultado conclusivo no confronto. O especialista também criticou a postura provocativa de Flávio e a falta de respostas objetivas sobre políticas públicas.
Colunistas do UOL também divergem sobre o desempenho dos candidatos
O UOL reuniu avaliações de sete colunistas que acompanharam o primeiro debate presidencial do segundo turno.
Entre eles, João Paulo Charleaux destacou as dificuldades de Lula ao responder aos questionamentos sobre seu filho. Para o jornalista, a campanha do presidente deveria estar preparada para enfrentar esse tipo de abordagem.
Na mesma linha, Letícia Casado avaliou que Flávio utilizou as suspeitas envolvendo Lulinha como estratégia para desestabilizar o adversário. Segundo ela, Lula poderia ter reagido com questionamentos mais diretos sobre investigações relacionadas ao senador.
Já Leonardo Sakamoto criticou a agressividade e a falta de respostas de Flávio. O colunista também ressaltou o momento em que Lula propôs a abertura dos sigilos bancários e telemáticos dos dois candidatos.
Por sua vez, Janaína Figueiredo avaliou que Lula não conseguiu elevar o nível do debate. Entretanto, também criticou a atitude de Flávio, principalmente por evitar perguntas consideradas sensíveis.
A jornalista Tatiana Farah chamou atenção para o comportamento do senador, que permaneceu diversas vezes atrás de Lula durante suas falas. Na avaliação dela, a estratégia poderia gerar vídeos para as redes sociais, mas também provocar rejeição entre eleitores indecisos.
Comportamento dos candidatos recebeu críticas dos especialistas
Além das estratégias eleitorais, o comportamento dos dois presidenciáveis também virou alvo de críticas.
O jornalista José Roberto de Toledo, do UOL, classificou o encontro como um dos debates mais negativos que acompanhou em sua trajetória profissional, marcada pela cobertura de 22 eleições.
Toledo criticou principalmente as provocações de Flávio, mas também apontou que nenhum dos candidatos respondeu de maneira satisfatória aos questionamentos apresentados.
Enquanto isso, a BBC destacou a avaliação dos cientistas políticos sobre o formato do debate, especialmente no primeiro bloco. Sem uma mediação mais rígida, Lula e Flávio trocaram acusações e interromperam as falas um do outro.
Assim, discussões sobre temas como corrupção, segurança pública e economia acabaram frequentemente substituídas por ataques pessoais.
E os eleitores indecisos, o que acharam do debate?
A reação dos eleitores que ainda não escolheram um candidato também apareceu nas análises.
Segundo Thais Bilenky, do UOL, indecisos que acompanharam o confronto consideraram Flávio agressivo. Ao mesmo tempo, avaliaram que Lula entrou no jogo de provocações do adversário e deixou de aproveitar oportunidades para apresentar argumentos capazes de convencê-los.
Na BBC, os especialistas também questionaram a utilidade do formato adotado pela Band para quem buscava conhecer melhor as propostas dos candidatos.
Além disso, os entrevistados pela emissora britânica avaliaram que o confronto pode ter pouco efeito sobre a decisão de voto, diante do alto nível de polarização eleitoral.
O debate teve um vencedor claro?
As avaliações reunidas pela BBC e pelo UOL mostram que os especialistas utilizaram critérios diferentes para analisar o encontro.
Enquanto alguns destacaram a condução dos temas e a capacidade de provocar o adversário, outros deram maior importância à postura, à apresentação de propostas e à qualidade das respostas.
Por isso, não houve consenso entre os profissionais consultados pelos dois veículos. As análises também não representam uma medição estatística da opinião de todos os eleitores.
O próximo debate presidencial está previsto para sexta-feira (23), na TV Globo, dois dias antes do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25).
Até lá, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro seguem na disputa pelos votos de eleitores que ainda não definiram sua escolha.