Ana Castela é criticada por versão de “Rap da Felicidade” que exalta o agro

Música feita com Rincon e DJ Boss reaproveita elementos do clássico de Cidinho e Doca, mas troca a temática social por referências ao universo sertanejo

Leonardo Stefanhuk

Ana Castela voltou a movimentar as redes sociais após o lançamento de “Não é Pressa, é Pressão”, música feita em parceria com Rincon e DJ Boss. A faixa chamou atenção por utilizar a estrutura melódica e o refrão de “Rap da Felicidade”, clássico de Cidinho e Doca.

A nova versão, porém, muda completamente o contexto da música original. Enquanto “Rap da Felicidade” ficou marcada pela representação da realidade das comunidades e pela busca por paz e dignidade, a nova faixa aposta em referências ao agronegócio, festas e ostentação.

O que mudou na música?

Na releitura, elementos reconhecíveis da composição de Cidinho e Doca aparecem acompanhados por referências ao universo sertanejo e agro. Entre elas estão menções a uma Dodge Ram e à Festa do Peão de Barretos.

A mudança de temática foi justamente o ponto que mais provocou reações nas redes sociais. Parte do público questionou a escolha de utilizar uma música associada à realidade periférica para construir uma narrativa voltada ao consumo e à ostentação.

Funk e sertanejo no centro do debate

“Rap da Felicidade” foi lançada originalmente por Cidinho e Doca em 1995 e se tornou um dos grandes clássicos do funk carioca. A música fala sobre violência, medo e o desejo de viver em paz na comunidade onde os artistas nasceram.

Na nova faixa, os compositores originais aparecem nos créditos, e a discussão nas redes não está relacionada à autorização da utilização da obra, mas principalmente à mudança de contexto e significado dada à música.

Apesar das críticas, “Não é Pressa, é Pressão” também apresentou bom desempenho nas plataformas digitais e chegou ao Top 15 do Spotify Brasil.

Até o momento, Ana Castela não se pronunciou especificamente sobre as críticas relacionadas à nova versão.

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