O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu, nesta quinta-feira (20), que a prisão preventiva de Deolane Bezerra seja mantida. O parecer foi apresentado às vésperas de a influenciadora completar 90 dias detida, nesta sexta-feira (21), período em que a Justiça deve reavaliar a necessidade da prisão preventiva.
Deolane está presa desde 21 de maio, quando foi alvo da Operação Vérnix, conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Na operação, também foram cumpridos mandados contra integrantes e familiares de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como líder da facção. A investigação busca esclarecer a atuação de diferentes pessoas na estrutura financeira que, segundo o MP, estaria ligada ao grupo criminoso.
Segundo o novo parecer do Ministério Público, Deolane faria parte do núcleo financeiro responsável pela movimentação e ocultação de recursos que, de acordo com a investigação, teriam origem ilícita. O órgão também argumenta que a liberdade dos réus poderia representar risco de reiteração criminosa e defende a continuidade da prisão cautelar.
Em um dos trechos do documento, o MP classificou a suposta atuação dos investigados como “um evidente atentado à Segurança Pública do Estado Brasileiro e à sociedade”, argumento utilizado para defender a manutenção das prisões preventivas.
A investigação que resultou na prisão começou a partir de informações obtidas pela polícia sobre uma estrutura financeira atribuída ao PCC. Entre as medidas determinadas durante a operação estão bloqueios de valores, sequestro de veículos e apreensão de imóveis relacionados aos investigados. A Justiça chegou a determinar o bloqueio de R$ 27 milhões em bens e valores associados a Deolane, segundo o Ministério Público.
Desde o início do caso, Deolane nega envolvimento com a organização criminosa. Durante audiência de custódia, a advogada afirmou ter sido presa no exercício da profissão, enquanto sua defesa pediu que a prisão fosse substituída por medidas menos gravosas ou por prisão domiciliar.
Apesar da proximidade dos 90 dias, o prazo não significa soltura automática de uma pessoa presa preventivamente. O período serve como marco para que o Judiciário reavalie se permanecem os motivos que justificam a medida. Assim, caberá ao juiz responsável pelo processo decidir se Deolane continuará presa ou poderá responder ao processo em liberdade.
O caso segue em andamento, e o Ministério Público também pediu a manutenção das prisões preventivas dos demais réus apontados na investigação. A defesa de Deolane ainda não havia se manifestado sobre o novo parecer até a publicação desta matéria.