Um contrato assinado por Felipe Prior para divulgar a Betsat previa uma forma de remuneração ligada às perdas dos apostadores indicados pelo ex-BBB. O documento foi obtido pelo Intercept Brasil e consta em um processo judicial.
Segundo a reportagem, Prior receberia 15% do valor perdido pelos novos usuários que chegassem à plataforma por meio de suas indicações. Assim, quanto maior fosse a perda dos apostadores cadastrados por ele, maior poderia ser a remuneração prevista no contrato.
Como funcionava o contrato de Felipe Prior?
O acordo previa inicialmente um pagamento de R$ 20 mil para Prior produzir seis stories por semana e realizar seis horas semanais de transmissões no YouTube durante aquele mês.

Além disso, o documento estabelecia pagamentos adicionais conforme o número de novos usuários cadastrados. Para cada pessoa que depositasse pelo menos R$ 15 na plataforma, Prior receberia mais R$ 20.
O contrato também estabelecia uma mudança na remuneração conforme o número de apostadores indicados. Caso Prior alcançasse mil novos usuários, o valor fixo subiria para R$ 35 mil.
A partir desse número, cada 500 novos cadastros acrescentaria mais R$ 10 mil à remuneração fixa prevista no acordo.
Felipe Prior afirma que sofreu um golpe
Apesar das cláusulas apresentadas no documento, Prior afirma que não recebeu o pagamento combinado. Por isso, o ex-BBB entrou com uma ação judicial contra Renan Sanjomar Brito Suzart, pessoa com quem assinou o contrato.
À reportagem, Prior afirmou que sofreu um golpe e disse que os responsáveis não cumpriram o acordo. Além disso, alegou que não realizou a publicidade exatamente como havia sido estabelecida.
Entretanto, o próprio processo movido pelo influenciador registra que ele teria cumprido o que havia sido combinado, com a realização de stories e transmissões ao vivo.
O contrato também aparece relacionado à Poligon Entertainment NV, empresa sediada em Curaçao que apresenta a Betsat como sua plataforma. A casa de apostas não respondeu aos questionamentos do Intercept sobre o documento.
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Modelo de comissão das bets também aparece em outros contratos
O caso de Prior chamou atenção porque o contrato previa uma comissão sobre as perdas dos usuários indicados. Segundo especialista ouvido pelo Intercept, esse modelo é conhecido no mercado como revenue share.
Além desse formato, também existe o chamado CPA, que remunera o influenciador pela aquisição de novos usuários. Dessa forma, os contratos podem combinar pagamentos por cadastro e comissões relacionadas à atividade dos apostadores.
O Intercept afirmou ter identificado que o modelo de remuneração baseado nas perdas dos apostadores não seria exclusivo da Betsat.
O caso de Felipe Prior segue relacionado à disputa judicial sobre o pagamento do contrato. Enquanto isso, o documento continua sendo uma das peças utilizadas para discutir os termos da parceria entre o influenciador e o intermediário.