Os feminicídios em São Paulo registraram uma alta de 41% no primeiro trimestre de 2026. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o estado contabilizou 86 casos entre janeiro e março, contra 61 no mesmo período de 2025.
O número chama atenção porque representa o maior registro de feminicídios em um primeiro trimestre desde o início da série histórica. Em média, uma mulher foi vítima do crime a cada pouco mais de 25 horas durante os três primeiros meses do ano.
Feminicídios em São Paulo atingiram recorde no trimestre
De acordo com os dados da SSP, março concentrou o maior número de ocorrências do período, com 30 feminicídios. Em janeiro, foram 27 casos, enquanto fevereiro registrou 29.
Além disso, março também estabeleceu um recorde mensal na série histórica. O número ficou 58% acima dos 19 casos registrados no mesmo mês de 2025.
O cenário, portanto, chamou atenção mesmo em meio à queda de outros indicadores de criminalidade no estado. No primeiro trimestre, por exemplo, os homicídios dolosos caíram de 660 para 632 vítimas, enquanto os latrocínios passaram de 38 para 19 ocorrências.
Interior concentra maior parte do aumento
O avanço dos feminicídios em São Paulo não ocorreu de maneira uniforme em todo o estado. O interior concentrou a maior parte da alta registrada no primeiro trimestre.
Foram 60 casos no interior entre janeiro e março de 2026, contra 34 no mesmo período do ano anterior. A alta chegou a 76,5%.
Na capital, por outro lado, o número permaneceu estável: foram 17 casos nos dois primeiros trimestres comparados. Já a Grande São Paulo registrou nove ocorrências, contra dez em 2025.
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Número continuou alto no primeiro semestre
Apesar do forte aumento registrado no primeiro trimestre, os dados seguintes mostram que a violência letal contra mulheres continuou em patamar elevado.
Entre janeiro e junho, São Paulo registrou 141 ocorrências de feminicídio e 142 mulheres assassinadas, segundo dados da SSP-SP. O número de ocorrências ficou cerca de 10% acima do registrado no mesmo período de 2025.
Assim, o recorde do primeiro trimestre não ficou isolado. O primeiro semestre de 2026 também terminou com o maior número de ocorrências para esse período desde o início da série histórica.
Violência contra mulheres também aparece em outros indicadores
Os números do primeiro trimestre mostram ainda que o problema não se limita aos feminicídios. O estado registrou 19.249 casos de lesão corporal dolosa contra mulheres, alta de 7,4% na comparação com os três primeiros meses de 2025.
Os registros de violência doméstica também cresceram 14,3% no período. Já os casos de estupro permaneceram praticamente estáveis, com 3.852 ocorrências entre janeiro e março, contra 3.862 no mesmo período do ano anterior.
Diante dos números, a SSP afirmou que o enfrentamento à violência contra a mulher é uma prioridade e informou a ampliação de mecanismos de prevenção e proteção. Entre as medidas anunciadas estão patrulhas específicas para atender ocorrências de violência doméstica e a ampliação de estruturas destinadas ao atendimento de mulheres.
Os dados mostram, portanto, um cenário que exige atenção. Mesmo com a redução de outros crimes no estado, os feminicídios em São Paulo atingiram níveis recordes no início de 2026 e permaneceram elevados ao longo do primeiro semestre.