INÉDITO: China faz foguete pousar “de ré” em terra firme pela primeira vez

A China alcançou um novo marco na corrida espacial. A empresa privada LandSpace conseguiu recuperar com sucesso o primeiro estágio do foguete Zhuque-3 após um lançamento.

Redação Sobre Mundo

A China deu um passo importante na corrida espacial nesta quarta-feira (19). A empresa privada LandSpace conseguiu fazer o primeiro estágio do foguete Zhuque-3 retornar à Terra e pousar verticalmente em terra firme após colocar um satélite em órbita.

Foguete chinês Zhuque-3

O momento chamou atenção porque o propulsor realizou praticamente o caminho inverso ao da decolagem: depois de se separar do restante do foguete, ele mudou sua orientação, acionou os motores para controlar a reentrada na atmosfera e voltou em direção ao local de pouso. Pouco antes de tocar o solo, abriu as pernas de sustentação e realizou a última queima dos motores.

O propulsor percorreu cerca de 390 quilômetros até chegar à área de pouso, na província de Gansu. O sucesso aconteceu no segundo voo do Zhuque-3, depois de uma primeira tentativa, em dezembro de 2025, terminar com uma falha durante a recuperação do primeiro estágio. Segundo informações divulgadas após a missão, esta foi a primeira recuperação bem-sucedida de um propulsor orbital chinês em terra utilizando pernas de pouso.

O que é o Zhuque-3?

O Zhuque-3 é um foguete desenvolvido pela LandSpace, uma empresa privada chinesa criada em 2015. O projeto foi pensado desde o início para utilizar tecnologias de reutilização, permitindo que partes do veículo sejam recuperadas e utilizadas em novos lançamentos.

O foguete tem 66,1 metros de altura e utiliza uma combinação de metano e oxigênio líquido como propelentes. O primeiro estágio conta com nove motores e foi projetado para retornar à Terra depois de cumprir sua função no lançamento.

Segundo a LandSpace, o propulsor poderá ser reutilizado até 20 vezes. A empresa também afirma que o Zhuque-3 poderá transportar até 14,2 toneladas para a órbita baixa da Terra em uma configuração que não recupere o primeiro estágio. :contentReference[oaicite:2]{index=2}

Por que pousar o foguete é tão importante?

Tradicionalmente, os foguetes utilizados para colocar satélites em órbita são descartados depois do lançamento. A possibilidade de recuperar o primeiro estágio muda essa lógica porque permite que uma parte extremamente cara do veículo seja utilizada novamente.

Na prática, a tecnologia pode ajudar a reduzir os custos dos lançamentos e aumentar a frequência das missões espaciais. É justamente esse modelo que transformou a SpaceX em uma das principais empresas do setor, com seus foguetes Falcon 9 sendo recuperados e reutilizados diversas vezes. A Blue Origin também utiliza tecnologia semelhante. :contentReference[oaicite:3]{index=3}

China tenta entrar na era dos foguetes reutilizáveis

O pouso do Zhuque-3 faz parte de um movimento maior da China para desenvolver sua própria tecnologia de foguetes reutilizáveis. O país não depende apenas das empresas estatais: companhias privadas como a LandSpace passaram a receber espaço dentro de uma indústria espacial comercial que Pequim pretende ampliar.

O feito desta quarta-feira foi, na verdade, a quarta tentativa chinesa de recuperar um propulsor orbital. Em dezembro de 2025, a própria LandSpace conseguiu colocar o Zhuque-3 em órbita, mas não conseguiu completar o pouso controlado do primeiro estágio.

Depois, um foguete Longa Marcha 12A, desenvolvido pelo setor estatal chinês, também chegou à órbita, mas não conseguiu recuperar o propulsor. Em julho de 2026, a China alcançou outro avanço ao recuperar um primeiro estágio no mar utilizando um sistema de captura por redes.

Agora, com o pouso do Zhuque-3, a China demonstrou uma segunda forma de recuperação: em terra firme e utilizando pernas retráteis. :contentReference[oaicite:4]{index=4}

China quer competir no mercado espacial

O objetivo por trás desses projetos vai além de conseguir um pouso impressionante. A reutilização é considerada fundamental para tornar os lançamentos mais baratos e frequentes, especialmente em um momento em que cresce a demanda por satélites de comunicação, observação da Terra e outros serviços espaciais.

A LandSpace pretende utilizar o propulsor recuperado do Zhuque-3 novamente dentro dos próximos seis meses. A ideia é demonstrar que o foguete não apenas consegue pousar, mas também pode ser preparado para uma nova missão em um intervalo relativamente curto.

A empresa também busca ampliar sua atuação comercial e pretende captar recursos no mercado de capitais chinês para financiar o desenvolvimento de seus projetos

Com o novo pouso, a China se aproxima de um grupo ainda restrito de empresas capazes de recuperar foguetes de classe orbital. O desafio agora será transformar o feito tecnológico em uma operação regular, com lançamentos frequentes, recuperação rápida e custos menores.

VÍDEO: Confira o momento em que o primeiro estágio do Zhuque-3 retorna à Terra e pousa verticalmente em terra firme.\

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