O presidente Lula (PT) aceitou as 19 exigências apresentadas por Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura dos sigilos bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos à Presidência. A resposta aconteceu na quarta-feira (21), depois que o senador apresentou uma contraproposta ao desafio feito pelo petista durante o debate da Band.
Sem recuar, Lula anunciou que sua campanha estaria no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22), às 11h, para formalizar o aceite. Além disso, cobrou que Flávio cumprisse o compromisso de divulgar seus próprios dados.
A movimentação acontece a apenas três dias do segundo turno das eleições presidenciais e intensifica a disputa entre os adversários.
Flávio Bolsonaro apresentou 19 condições para abrir seus sigilos
O impasse começou durante o debate de domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a abrir seus sigilos bancários e telefônicos, incluindo os de familiares e empresas ligadas aos candidatos.
Na terça-feira (20), o presidente encaminhou ao TSE um documento autorizando a abertura das próprias informações, condicionado à adoção da mesma medida pelo adversário.
Entretanto, Flávio respondeu na quarta-feira (21) com uma contraproposta. O senador afirmou que aceitaria divulgar seus dados dos últimos 20 anos, mas apresentou 19 exigências para que a medida fosse concretizada.
Entre as condições, Flávio pediu a abertura dos sigilos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
O candidato do PL também solicitou informações relacionadas ao Instituto Lula, às empresas dos filhos do presidente e a pessoas próximas ao petista.
Além disso, cobrou a divulgação de despesas dos cartões corporativos da Presidência, registros da agenda da primeira-dama Janja e informações sobre o uso de helicópteros e gastos do Palácio da Alvorada.
Lula aceita contraproposta e cobra resposta de Flávio Bolsonaro
Apesar das exigências, a campanha de Lula confirmou que o presidente não se opõe às condições apresentadas pelo adversário.
O coordenador político da campanha petista, Camilo Santana, afirmou que o aceite depende de Flávio também cumprir integralmente as condições de abertura dos próprios dados.
“De todos os condicionantes que ele colocou, o presidente não se opõe a absolutamente nada. Contanto que ele cumpra o que o presidente colocou no TSE.”
Na noite de quarta-feira, Lula reforçou o desafio em uma publicação nas redes sociais.
“Desafio aceito, Flávio Bolsonaro. Amanhã às 11h, esperamos você no TSE para abertura total do sigilo.”
Além disso, a equipe petista cobrou esclarecimentos sobre a Alcazar Holdings, empresa mencionada em uma investigação da Polícia Federal envolvendo o advogado Willer Tomaz e suspeitas de lavagem de dinheiro.
Segundo a campanha de Lula, a empresa também deveria integrar a abertura dos registros ligados a Flávio. O senador e Willer Tomaz negam manter negócios em conjunto.
Campanhas confirmam representantes no TSE nesta quinta-feira
Na manhã desta quinta-feira (22), a campanha de Flávio Bolsonaro confirmou à CNN Brasil que enviaria representantes ao TSE às 11h para dar continuidade ao desafio.
A advogada Maria Cláudia Bucchianeri foi designada para representar o senador. Segundo ela, a campanha do PL não pretende recuar da proposta.
Enquanto isso, a equipe de Lula anunciou que compareceria ao tribunal para protocolar a aceitação das exigências apresentadas pelo adversário.
Até a última atualização desta reportagem, não havia confirmação independente de que as duas campanhas tivessem concluído a entrega dos documentos ou de que os sigilos já estivessem efetivamente disponíveis.
Portanto, a formalização dos compromissos e a divulgação das informações ainda dependem de novos desdobramentos.
Flávio escala Deltan Dallagnol para analisar documentos de Lula
Outra novidade surgiu na manhã desta quinta-feira. Segundo o Poder360, a campanha de Flávio Bolsonaro escolheu o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol para analisar os registros financeiros de Lula e de pessoas ligadas ao presidente.
Em nota, a equipe do senador afirmou que os documentos devem passar por uma avaliação rigorosa e independente.
A escolha de Deltan representa mais um movimento político na disputa pela abertura dos dados. Entretanto, sua indicação não significa que os registros já tenham sido entregues à campanha.
Agora, a principal expectativa gira em torno da formalização das autorizações e da divulgação das informações prometidas pelos candidatos antes do segundo turno, marcado para domingo (25).