Malévola Alves retornou ao Brasil após a prisão no Egito e denunciou humilhações e transfobia durante a detenção. A influenciadora desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, na noite de quinta-feira (22). Ao lado dela estava a amiga Bruna Mercatelli, que também enfrentou problemas com as autoridades egípcias.
Logo após chegar ao país, Malévola conversou com a imprensa e relatou momentos de medo e constrangimento. Segundo ela, os policiais egípcios trataram as duas brasileiras de maneira degradante.
Em entrevista ao portal LeoDias, a influenciadora afirmou que recebeu um tratamento semelhante ao de “lixo”. Além disso, contou que temeu pela própria segurança enquanto permanecia sob custódia policial.
Malévola relata humilhações após prisão no Egito
Durante a entrevista, Malévola revelou que ela e Bruna enfrentaram momentos de incerteza após a abordagem policial.
Segundo seu relato, os agentes colocaram as duas na parte traseira de uma viatura e dirigiram por aproximadamente três horas. Durante o trajeto, as brasileiras não sabiam para onde estavam indo.
Além disso, os policiais teriam impedido o acesso aos passaportes e celulares. Por isso, a influenciadora afirmou que sentiu ainda mais medo da situação.
Entretanto, um dos momentos mais delicados aconteceu durante uma revista realizada pelos agentes.
Malévola afirmou que policiais a obrigaram a retirar a roupa e inspecionaram seus órgãos genitais. Segundo ela, os agentes mudaram o comportamento depois da revista.
Diante disso, a influenciadora acredita que sua identidade de gênero e a de Bruna tenham influenciado o tratamento recebido.
Apesar da gravidade dos relatos, as autoridades competentes ainda precisam apurar as denúncias de transfobia e maus-tratos apresentadas por Malévola.
Influenciadora também denuncia assédio durante transferência
Além das denúncias de transfobia, Malévola relatou episódios de assédio durante o transporte policial no Egito.
De acordo com seu depoimento, agentes teriam tocado seu corpo sem consentimento. A influenciadora também afirmou que policiais fizeram investidas contra Bruna.
Ao longo do deslocamento, as duas enfrentaram dificuldades para recuperar seus pertences. Além disso, Malévola contou que não conseguiu utilizar um banheiro em condições adequadas.
Após desembarcar no Brasil, ela também criticou comentários publicados nas redes sociais. Alguns internautas tentaram justificar os supostos abusos por causa das roupas que as brasileiras utilizavam.
Entretanto, Malévola rejeitou esse argumento. Para ela, nenhuma diferença cultural ou comportamento justifica as situações que descreveu.
Por que Malévola enfrentou prisão no Egito?
A polícia egípcia prendeu Malévola e Bruna na terça-feira (20), na cidade de Alexandria, durante uma viagem das influenciadoras ao país.
Segundo o Ministério do Interior egípcio, as brasileiras divulgaram vídeos gravados em espaços públicos. Nas imagens, elas teriam realizado gestos que as autoridades locais consideraram de conotação sexual.
Além disso, a polícia alegou que as influenciadoras importunaram pedestres durante as gravações.
Por outro lado, Malévola contestou as acusações. Segundo ela, os vídeos tinham caráter humorístico e contavam com a autorização das pessoas que participaram das gravações.
A influenciadora também negou qualquer desrespeito a locais religiosos durante a viagem.
Portanto, as declarações das brasileiras apresentam diferenças em relação à justificativa divulgada pela polícia egípcia.
Malévola deixou a prisão após pagamento de fiança
Malévola e Bruna Mercatelli deixaram a prisão na quarta-feira (21), após o pagamento de fiança.
Entretanto, a libertação não encerrou definitivamente o caso. Segundo informações da imprensa, as autoridades permitiram que as duas respondessem ao processo fora da prisão.
Além disso, os policiais mantiveram o celular de Malévola sob custódia mesmo depois da libertação.
Agora, a defesa pretende recuperar o aparelho e solicitar uma investigação sobre as denúncias de maus-tratos.
Segundo a VEJA São Paulo, o advogado Jonatha Carvalho Matos também considera procurar o Ministério das Relações Exteriores e organismos internacionais de direitos humanos.
Enquanto isso, o Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil no Cairo acompanhou a situação e prestou assistência consular às brasileiras.
Malévola comemora retorno ao Brasil após prisão no Egito
Depois de dois dias de tensão, Malévola e Bruna chegaram ao Aeroporto Internacional de Guarulhos por volta das 22h30 de quinta-feira.
Nas redes sociais, as influenciadoras comemoraram o retorno ao país. Além disso, agradeceram as mensagens de apoio que receberam durante o período de detenção.
Apesar do alívio, Malévola afirmou que a experiência deixou marcas emocionais. Por isso, declarou que não pretende voltar ao Egito.
Agora, a defesa busca esclarecer as circunstâncias da prisão e cobrar uma investigação sobre as denúncias contra os agentes envolvidos.
Por fim, as declarações de Malévola reacenderam discussões sobre o tratamento de turistas LGBTQIA+ em países com legislações e costumes diferentes dos brasileiros.
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