A Justiça condenou João de Deus e o Centro Espírita Dom Inácio de Loyola ao pagamento de R$ 20 milhões por danos morais coletivos. A decisão considera os impactos provocados pelos abusos cometidos pelo médium contra mulheres que buscavam atendimento espiritual.
Além disso, a sentença reconhece que os crimes ultrapassaram as consequências individuais para as vítimas. Segundo a decisão, o caso também provocou danos à coletividade, principalmente pela utilização da estrutura da instituição para a prática dos abusos.
João de Deus terá que pagar indenização milionária
De acordo com a decisão judicial, João de Deus e o centro espírita devem pagar R$ 20 milhões em indenização por danos morais coletivos. O valor busca reparar, portanto, os prejuízos causados à sociedade diante da dimensão dos crimes atribuídos ao médium.
Ao mesmo tempo, a decisão permite que as vítimas busquem individualmente outras indenizações. Para isso, elas terão um prazo de cinco anos para apresentar ações próprias e solicitar a reparação pelos danos sofridos.
Dessa forma, o valor de R$ 20 milhões não representa necessariamente o total que poderá ser pago às vítimas. A quantia definida na sentença corresponde aos danos morais coletivos, enquanto cada vítima ainda pode buscar uma reparação individual na Justiça.
Centro espírita também responde pela condenação
Além de João de Deus, o Centro Espírita Dom Inácio de Loyola também aparece como responsável pelo pagamento definido pela Justiça. A decisão considerou a relação entre a instituição e os atendimentos realizados pelo médium.
Segundo o entendimento apresentado no processo, a estrutura do centro contribuiu para que João de Deus recebesse mulheres que procuravam ajuda espiritual. Assim, a Justiça reconheceu que a instituição também deveria responder pelos danos coletivos relacionados aos abusos.
Por outro lado, a condenação ocorre no âmbito civil e trata especificamente da reparação por danos morais coletivos. Os processos criminais envolvendo João de Deus possuem decisões e consequências próprias.
Condenações de João de Deus
João de Deus se tornou alvo de diversas denúncias de abuso sexual a partir de 2018. Naquele período, dezenas de mulheres relataram que sofreram abusos durante atendimentos realizados no centro espírita em Abadiânia, em Goiás.
Desde então, a Justiça analisou diferentes acusações contra o médium. Além disso, João de Deus recebeu condenações criminais que somam dezenas de anos de prisão.
O caso ganhou repercussão internacional justamente pela quantidade de denúncias e pela posição que o médium ocupava. Ele recebia pessoas que viajavam até Abadiânia em busca de tratamentos espirituais e chegou a atender personalidades brasileiras e estrangeiras.
Vítimas ainda podem buscar reparação individual
Apesar da condenação coletiva, as vítimas ainda podem recorrer à Justiça para buscar uma compensação específica pelos danos que sofreram. Nesse caso, cada processo poderá analisar as circunstâncias individuais de cada denúncia.
Portanto, a decisão dos R$ 20 milhões representa mais um desdobramento judicial de um dos casos de abuso sexual de maior repercussão no Brasil nos últimos anos.
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